
Tenho medo dos idiotas
Tenho medo dos idiotas…
Porque os idiotas são todos extremistas!
A resposta está sempre certa! Não importa argumento, não importa exemplo, não importa explicação!
Tenho medo dos idiotas…
Porque eles têm a voz e a vez!
E não têm vergonha da medíocre pequenez!
Eles se multiplicam aos milhões! E por mais que causem estragos, não há condenações!
Tenho medo dos idiotas…
Porque eles podem ser presidentes, dizer bobagens e matar muitas gentes!
Podem apertar botões e iniciar a terceira guerra mundial! Tudo é banal!
Tenho medo dos idiotas…
Porque posam de autênticos quando, na verdade, abrem a boca para destilar preconceitos e muita aberração! Sem nenhuma
preocupação!
Os idiotas, sempre eles, idolatram a fúria, o fuzil, dizem até que a ditadura nunca existiu!
Os idiotas também se candidatam pra tudo quanto é função: vereador, deputado, senador, presidente… Não importa se o que
falam é indecente!
Tenho medo dos idiotas…
Porque eles mandam e desmandam em tudo!
Gostam de jogar bombas e de erguer muro!
Tenho medo dos idiotas…
Porque eles não entendem poesia!
Não têm sensibilidade nem melodia!
Tenho medo dos idiotas porque eles são muitos!
Os idiotas performam o tempo todo nas redes sociais! Dizem as maiores bobagens e se transformam em símbolos nacionais!
Os idiotas não têm pudor ou culpa da própria idiotice, ao contrário, se vangloriam da triste fanfarronice! É o culto à ignorância! Sem cerimônia e com muita militância!
Uma pena que cada vez mais idiotas se sentem no direito de tudo mandar!
Os idiotas não gostam da natureza, não gostam de verde e não gostam de amar!
Tenho medo dos idiotas!

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto.
Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.























